O CEDOI – Centro de Docência On-Line Independente Dr. Roberto Funck é uma iniciativa privada que se dedica ao ensino e à pesquisa na área da Administração, desenvolvendo suas operações on-line, em uma plataforma no Second Life, desvinculada do sistema formal de educação brasileiro (primeiro, segundo e terceiro graus).


Nossa meta é proporcionar uma aprendizagem que, paralelamente à assimilação do conteúdo, desenvolva a capacidade do estudante para aprender, aumentado sua capacidade para interpretar o ambiente que o rodeia e sua capacidade de representar e replicar o conhecimento.

 

SÍNTESE DO MARCO EPISTEMOLÓGICO: GÊNESE E DISSEMINAÇÃO DO CONHECIMENTO

A primeira coisa que tivemos muito clara quando começamos a trabalhar no Second Life é que o ensino a distância é muito mais um problema de didática do que um problema de tecnologia. Existem hoje, em todo o mundo, suficientes evidências de que o ensino tradicional é cada vez mais deficiente. Por isso, não pareceu lógico trazer para o ambiente virtual as mesmas técnicas que se mostravam tão pouco úteis no ambiente real. Se os resultados do que se está fazendo em sala de aula não é satisfatório, o trazer a mesma didática para os mundos virtuais seria, segundo nosso entendimento, fazer mais do ruim. E isso supunha, fundamentalmente, repensar o que é o conhecimento, para apenas então, pensar em como transmiti-lo.


Hoje, nosso ponto de partida é que o conhecimento é toda interpretação mental do ambiente vivido pelo indivíduo. Acreditamos que existe um ambiente (e por enquanto não interessa o grau de objetividade que tenha) e que esse ambiente é interpretado pelo indivíduo. Estamos denominando estas interpretações de "elaborações mentais". Esse é um ponto de partida que nos parece interessante, uma vez que nos permite falar de "graus de propagação do conhecimento".  O menor grau de propagação é, certamente, aquele em que as interpretações estão apenas na mente do sujeito que as faz. E, se aceitamos tal interpretação, a mente do indivíduo é o único lugar existem essas interpretações e, portanto, o conhecimento. Nesse ponto, e o reforço da repetição é para deixar a idéia bem evidente, chamamos a atenção para o fato de que, por um lado existe um ambiente e, por outro, um observador que interpreta e dá significado a esse ambiente. Denominamos de "interpretação" o processo pelo qual o sujeito cria uma significado para o ambiente. Aceitamos, também, que as próprias elaborações mentais podem provocar mudanças no ambiente vivido pelo sujeito. A idéia não é estranha sequer na Física. Os físicos, sempre tão exatos, reconhecem que a luz se comporta como partícula de a interpretamos como partícula e como energia se a interpretamos como tal. Por que não fazer o mesmo com todo o conhecimento?

 

Entender o conhecimento desta maneira tem importantes implicações:
Primeiro, o "locus" do conhecimento é a mente do indivíduo, ou seja, a mente do sujeito é o único lugar onde há conhecimento;
Segundo, ao interpretar o conhecimento desta maneira, nos desviamos de dois problemas epistemológicos sobre os quais os filósofos não chegam a um acordo: o problema da realidade (se ela existe ou não) e a capacidade que, supostamente, o homem tem para captar essa realidade (se o homem pode captar  ou não a realidade ou em que grau ele pode fazê-lo);
Terceiro, da mesma forma, nos desviamos do problema epistemológico da "verdade". A definição que estamos utilizando nos leva à irrelevância do conceito de "verdade" ou, pelo menos, o transforma em um conceito subjetivo: desde o ponto de vista da ação, é irrelevante se uma interpretação é  "a" verdade; o que interessa é o que o sujeito interpreta como verdade. É a "sua" interpretação do ambiente que determinará suas ações;
Quarto, menos relevante para nossos propósitos, mas é necessário mencioná-lo, a definição de conhecimento que estamos utilizando não exclui a possibilidade de que outros animais possam, também, ter "conhecimentos", fato hoje reconhecido pela Biologia.

 

No entanto, a interpretação que está na mente do indivíduo serve somente para ele. Para que os demais possam ter acesso a ela, o indivíduo tem que representá-la de alguma maneira. Isso nos conduz a um grau de propagação mais elevado: o grau de representação das elaborações mentais. No nosso esquema inicial, isso significa que existe um ambiente que é interpretado por um observador e depois representado simbolicamente através de um processo que estamos chamando de "representação do conhecimento". O acesso que os demais têm ao conhecimento de um indivíduo não é, portanto, um acesso direto, e sim um acesso indireto pela via da representação. E o que ocorre entre as elaborações mentais e o ambiente também ocorre com as representações: elas podem mudar o ambiente em que o indivíduo vive.


A importante ressaltar a diferença entre ambiente, interpretação e representação porque entendemos que na raíz de quase todos os problemas que enfrentamos no ensino está o fato de que muitas vezes entendemos que tudo isso é a mesma coisa. E não é. Nós temos aqui tres coisas completamente distintas: o ambiente, a interpretação do ambiente e a representação dessas interpretações.


E, finalmente, chegamos ao topo da escala de propagação do conhecimento, com o grau de socialização das representações que, por sua vez, também podem mudar o ambiente. Nosso esquema fica, portanto, como segue: existe um ambiente que é interpretado por um obsrvador, em um processo de interpretação, e depois represetnado simbolicamente através de um processo de representação. As representações podem, por sua vez, ser (ou não) compartilhadas socialmente, através de um processo de replicação do conhecimento.


Além de permitir que falemos de um grau de propagação do conhecimento, a lógica que estamos seguindo exige que se considere, também, o grau de complexidade, não apenas do ambiente, como também do conhecimento. Isso é o que veremos a seguir.


Estamos considerando três graus de complexidade para cada um dos três primeiros graus de propagação. No ambiente, estes graus de complexidade seriam (a) os objetos; (b) os conjuntos de objetos e (c) os sistemas. Os objetos são, para nós, as partes elementares do ambiente, partes com as quais é possível estabelecer uma relação mental biunívoca. Estamos chamando de "conjunto" um determinado número de objetos que têm atributos comuns. Quando os objetos de um conjunto entram em interação com outros objetos de um mesmo conjunto, estaremos falando de um "sistema": un conjunto de objetos em interação. Não discutiremos, agora, se os objetos devem pertencer a um único conjunto para que possam ser chamados de "sistema", mas adiantamos que a própria interação pode ser o atributo comum que põe o objeto no mesmo conjunto. Dessa forma, a distinção entre "sistemas abertos" e "sistemas fechados" perde o sentido.

 

Cada um desses graus de complexidade no ambiente tem seu correspondente no nível das elaborações mentais. Aos objetos correspondem os "memes". A palavra foi criada por Richard Dawkins em seu livro "O gene egoísta" (1976) e é, para a memória, o mesmo que o gene é para a genética: sua unidade mínima ou, em outras palavras, a menor unidade mental com a qual se pode estabelecer uma relação biunívoca com um objeto do ambiente. Talvez o melhor exemplo do que desejamos mostrar é o meme "mãe" (ainda sem que seja chamado como tal) na mente de uma criança recém-nascida. Para ela, existe uma mulher que a alimenta, limpa, protege e lhe dá carinho e amor. Aqui se forma uma relação biunívoca na mente da criança: a mulher evoca o alimento, a limpeza, a proteção, o carinho e o amor que, por sua vez, evocam a mulher. Não é necessário que a mulher seja chamada de "mãe". A "mãe" (ainda sem ser designada por essa palavra) é, para a criança, um meme. Mas as crianças costumam crescer, o que também ocorre com sua capacidade de interpretação do ambiente. O "meme" mãe se transforma no "conceito" mãe quando a criança se dá conta que existem outras crianças e cada uma delas também tem uma mulher que a alimenta, limpa, protege e lhe dá carinho e amor. Agora existe na mente da criança uma elaboração mental que não evoca mais a "sua" mãe, mas um conjunto de mulheres que fazem com as demais crianças o mesmo que sua mãe faz com ela. Está criado, em sua mente, o conceito "mãe".  É certo (exceto nos casos patológicos) que este conceito desenvolver-se-á até o ponto em que a criança faça a conexão entre o sexo e a geração de um outro ser semelhante ao que o gerou. Os conceitos, e portanto, as elaborações mentais feitas do ambiente, são dinâmicos. Aos sistemas correspondem, no nível das elaborações mentais, as teorias. E aqui podemos ter um dos pontos mais controversos da interpretação que estamos fazendo da gênese e da disseminação do conhecimento: para nós, uma teoria existe apenas na mente do indivíduo e ela é a interpretação mental que o sujeito faz das relações que se realizam nos sistemas. Existem, certamente, outras definições de teoria. Mas logo veremos que o que parece ficar a descoberto nesta definição logo será recuperado no nível da representação das elaborações mentais.


E chega o dia em que a criança diz: "Mama!". Pronto! Agora o meme "mãe" tem um nome: mama. Ou seja, no nível de representação das elaborações mentais, as palavras são o correspondente dos memes: uma representação simbólica das elaborações mentais que evocam uma relação biunívoca com os objetos do ambiente. Aos conceitos (ou memeplexos) correspondem, no nível das representações, as definições: a explicação dos atributos comuns a um conjunto de objetos reunidos mentalmente na forma de um conceito. E à teoria correpondem os modelos teóricos, resgatando o que ficava a descoberto quando falamos das teorias. Os modelos teóricos são representações formais das relações que se dão nos sistemas, de acordo com a interpretação dada a elas pelo observador. Não entraremos, agora, nos elementos de um modelo teórico.


E, por último, o nível do conhecimento socializado: o conjunto de todas as representações mentais compartilhadas por um conjunto socialmente relevante de indivíduos. Nesse ponto, não apenas o grau de propagação do conhecimento é grande. É grande, também, o grau de complexidade. E o entendemos tão complexo que não tem sentido definir graus intermediários de complexidade.
Até agora, tudo o que vimos são os elementos com os quais é possível descrever o proceso de gênese e disseminação do conhecimento. Do processo ainda não falamos. Mas o faremos a seguir. A característica definidora do processo é o como se dá a passagem de um nível de propagação para outro, e como se dá a passagem de um grau de complexidade para outro, mais elevados.


Estamos centrando a atenção na passagem de um nível de propagação para outro. O primeiro passo, a assimilação mental dos objetos, dos conjuntos de objetos e dos sistemas, depende da atuação do que estamos chamando de "filtros de interpretação": conjuntos de fatores que interferem na formação das elaborações mentais.


Apenas para dar um exemplo extraído de Ausubel (2002), a estrutura cognitiva do estudante é um dos grandes, senão o maior destes filtros. Assim também o são, para seguir com Ausubel, os organizadores prévios. Logo veremos a importância que daremos a todos os filtros de passagem de um grau de propagação a outro mais elevado.


A passagem do nível das elaborações mentais ao nível das representações dessas elaborações sofre a atuação do que estamos chamando "filtros de externalização", conjuntos de fatores que interferem na representação simbólica das elaborações mentais. A linguagem é um dos filtros de externalização mais importantes. Mas isso não significa que ela não tenha relevância como filtro de interpretação (certamente tem), nem tampouco que não atue como filtro de replicação.


Os filtros de replicação fazem a passagem da representação das elaborações mentais para a socialização dessas representações. São conjuntos de fatores que interferem na passagem da representação das elaborações mentais para a socialização dessas representações. A cultura poderia ser um dos exemplos de filtros de replicação.


Mas por que de nosso interesse nesses filtros? Nosso interesse nesses filtros está no fato de que os processos de ensino-aprendizagem dependem não apenas do conteúdo apresentado, mas também, e muito mais, da adequada utilização desses filtros que, em conjunto, denominamos "filtros cognitivos". Estes filtros mudam a atitude dos estudantes frente ao conteúdo e, portanto, interferem nos resultados do processo de ensino-aprendizagem. Quanto melhor for a forma como esses filtros forem trabalhados no ensino, melhor será o resultado da aprendizagem.

 

 

LINHAS DE ATUAÇÃO

 

1. ENSINO
1.1 – Oferecimento de cursos, palestras e debates na área da administração e conhecimentos correlatos.
1.2 – Programas de iniciação científica na área da administração.

2. PESQUISA
2.1 – Desenvolvimento e aplicação de ferramentas para aumentar a capacidade do estudante para interpretar o ambiente.
2.2 – Desenvolvimento e aplicação de ferramentas para aumentar a capacidade do estudante para representar o conhecimento.
2.3 – Desenvolvimento e aplicação de ferramentas para aumentar a capacidade do estudante para replicar o conhecimento.

3. ALIANÇAS
Formação de acordos de cooperação informais com instituições que tenham programas de ensino e pesquisa complementares aos do CEDOI.